CORÍNTIA – Ordens Clássicas

A ordem Coríntia surge no início do IV século a.C e é sem sombra de dúvidas o estilo mais detalhado em comparação com as outras ordens. Por ser rica em pormenores e minuciosidades, esse conjunto de elementos era considerado um dos mais caros para se encomendar na Grécia Antiga. Foi durante o período Helenístico que essas estupendas colunas se espalharam por todo o mundo, segundo o historiador inglês Ernest Gombrich, Alexandre, o Grande, rei da Macedônia, filho do imperador Fellipe II, durante as suas expansões geográficas, foi um dos grandes responsáveis por levar esse estilo além-mar [1].

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Fig. 1. Catedral Neoclássica de Helsinki, Finlandia. Construída entre 1830-1832.

O nome da ordem é uma homenagem a uma das cidades mais prósperas do período helenístico, Corinto. Corinto era um rico centro comercial, abrigando uma população cosmopolita graças ao seu porto, que realizava um lucrativo comércio com a Ásia, além de ser um ponto de comunicação com a península itálica [2], fora o fato de ser um local historicamente conhecido por abrigar o apóstolo Paulo, talvez o maior propagador da mensagem cristã.

Segundo John Summerson, a ordem Coríntia sempre foi vista como “a mais feminina” [3], pois possui beleza e delicadeza sem igual, algo que realmente transcende e arremete o observador aos deuses do Olimpo. Sendo assim, é possível afirmar que a ordem Dórica é aquela que possui um teor mais masculino e rústico, a Coríntia seria quase uma materialização da essência feminina, e a jônica acaba sendo algo que estaria in between, em outras palavras, seria o equilíbrio perfeito entre a ordem Dórica e Coríntia, não sendo nem masculina, nem feminina mas assexuada.

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Fig. 2. Maison Carrée, Nîmes, França. Um dos templos romanos mais bem preservados até os dias atuais.

Como características principais, a ordem Coríntia é a mais alta de todas possuindo 10 módulos de altura. Sua coluna possui base e vinte e quatro caneluras, apesar de manter as volutas do capitel Jônico, o grande destaque aplicado são as flores e as folhas de acanto no capitel trazendo assim uma ligação da natureza com a arquitetura. Para finalizar, a ordem Coríntia é ideal para santos e deuses de caráter feminino, assim como para elementos arquitetônicos que procuram demonstrar abundância, riqueza e glória (fig. 3), talvez essa seja a razão pela qual essa ordem sempre esteve presente entre os romanos, de Augusto á Romulo, desde o início do Império até sua queda.

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Fig. 3. Arco de Constantino, Roma. Construído em 315 d.C sob colunas Coríntias.

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Bibliografia:

1. GOMBRICH, Ernest. A História da Arte. 16º edição. Rio de Janeiro: LTC, 2011. Cap. 4, O Império do Belo, pág. 108.

2. SANTIAGO, Emerson. Corinto. Disponível em: < https://www.infoescola.com/grecia-antiga/corinto/ >. Acesso em: 09 de Abril, 2019.

3. SUMMERSON, John. The Classical Language of Architecture. London: Thames and Hudson, 1980. Chapter 1, The Essentials of Classicism, pg. 15.

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