JÔNICA – Ordens Clássicas

Foi por volta do VI a.C que surgiu na antiga Grécia Oriental (atual Turquia) uma ordem clássica que marcou a história da arquitetura e até hoje é conhecida como Jônica (fig.1 ).

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Fig. 1. Portico Norte do Erecteion em Atenas, 421-407 a.C.

Por ser possuidora de uma rica ornamentação, essa ordem ganhou notoriedade por ser detentora de características femininas. Esse ponto fica bem evidente quando se observa o seu capitel, um elemento orgânico e curvilineo. Formado por duas ou quatro volutas, esse capitel é talvez um dos principais elementos da ordem e com o passar dos anos, tem sido bastante especulado nos meios acadêmicos abrindo margem para diversas pesquísas e interpretações. Alguns estudos sugerem que as quatro volutas são uma analogia aos cabelos encaracolados da mulher, outros argumentam que esse formato remete a um papiro, justificando assim a influência da Arquitetura Egípcia na ordem, também há publicações que defendem o ondulado como sendo imitações da natureza, o que faz total sentido já que os Gregos – principalmente na filosofia de Platonica – sempre buscaram ter essa ligação o ambiente natural, seja em sua religião, arte ou literatura. Em meio a essas dúvidas uma coisa é certa, existe uma forte presença Oriental nessa ordem e isso se explica principalmente pelo fato de que a região da Jônia foi muito influênciada por tal cultura.

Como características principais a ordem Jônica (fig. 2) possui colunas que se abrem a medida que se aproximam do chão, no entanto, diferente da órdem Dórica com 8 módulos, a Jônica mede nove modulos de altura, possui base e tradicionalmente tem um fuste com vinte e quatro caneluras. O fuste é a parte que fica entre a base e o capitel, e as caneluras são esses riscos decorativos que se encontram inseridos no fuste.

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Fig. 2. Alguns detalhes da ordem Jônica.

Como já foi comentado, essa ordem possui linhas leves e fluídas, e apesar de ser orgânica, é possível notar que ela não é  tão carregada de decoração quanto a Coríntia, mas também passa longe de toda a rigidez da Dórica. É por essa razão que o arquiteto romano Vitruvius vai dizer que a ordem Jônica “é uma perfeita combinação da severidade dórica com a delicadeza que vem da Coríntia” [1], é a perfeita linha tênue entre as duas ordens. Ele também continua dizendo que “esse tipo de estilo é ideal para templos dedicados a santos tranquilos – nem fortes nem suaves – assim como para divindades e santos de grande intelecto” [2]. Um exemplo prático da aplicação dessa ordem é o Templo de Diana em Éfeso que segundo a tradição, foi construído à semelhança de uma mulher jovem, agradável e de longos cabelos. No final das contas a ordem Jônica é o oposto da ordem Dórica que está mais relacionada a rudez e austeridade.

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Bibliografia:

1. VITRUVIUS, Marcus Pollio. The Ten Books of Architecture. 1.2.5. Tradução livre feita pelo Autor.

2. SUMMERSON, John. The Classical Language of Architecture. Londres: Thames and Hudson Ltd, 1980. Chapter 1, The Essentials of Classicism, pg. 11.

 

 

 

 

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