Orientação Solar: Como usar o SOL à favor da ARQUITETURA

Todo mundo sabe – ou pelo menos tem ideia – de como é desagradável ficar dentro de um ambiente quente, isso acontece porque muitos profissionais ignoram o estudo de orientação solar na hora de se projetar um edifício. O Brasil é um país privilegiado simplesmente pelo fato de possuir uma forte insolação solar durante o ano todo. Isso parece bobagem para os brasileiros, todavia, os habitantes do hemisfério norte estão sempre dispostos a comemorar qualquer raio de sol que aparece sobre eles. Antes de entrarmos na explicação técnica sobre uso do sol no projeto arquitetônico, se faz muito importante entender melhor quais são as vantagens de receber iluminação solar seja em nosso corpo seja no edifício.

 

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Fig.1. Sol é saúde.

 

O primeiro ponto positivo está relacionado a Vitamina D. Além de prevenir doenças como obesidade, depressão e diabetes essa vitamina é uma grande ferramenta que facilita a absorção de cálcio no corpo [1]. Uma boa orientação solar também vai garantir uma maior resistência na estrutura do edifício assim como um aumento na vida útil dos componentes internos da edificação incluindo seus móveis e revestimentos. Por fim, um dos aspectos mais importantes de se pensar o projeto de acordo com o sol é o conforto térmico e ambiental que o cômodo pode alcançar quando bem planejado. Tudo isso é um trabalho que deve ser pensado cuidadosamente pelo profissional da arquitetura, afinal, talvez o maior objetivo dessa profissão seja promover o direito à moradia digna para toda a sociedade. Para fechar essa introdução é importante dizer que ar condicionado e ventilador não são soluções arquitetônicas, na verdade são apenas ferramentas que ajudam na climatização de um ambiente. Como uma pessoa que pensa a casa como um todo, seria um erro gravíssimo do arquiteto projetar o edifício e só depois pensar no conforto. Questões como temperatura ambiente e orientação solar são problemáticas que devem ocupar o primeiro lugar na gestão de projetos.

 

 

 

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Fig. 2. Orientação Solar no Brasil durante o Inverno e Verão.

 

De maneira geral – e simplista – para aqueles que vivem no hemisfério sul a face leste será na maioria das vezes aquele que recebe o melhor sol do dia, o famoso sol da manhã. O leste é agradável pois é ali que o sol nasce, sendo extremamente agradável desde o seu surgimento até por volta das 11h/12h. Sabendo disso, é uma decisão projetual muito inteligente posicionar os cômodos de maior uso justamente nessa face leste. E quais seriam esses cômodos? Quartos (fig. 2), escritórios e varandas. Projetar esse tipo de ambiente na face oeste seria no mínimo perigoso, pois como essa face recebe uma forte insolação durante o período da tarde, a noite os usuários entrariam em uma “sauna”, pois esses espaços estariam superaquecidos.

 

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Fig. 2. Quarto bem iluminado por raios solares.

 

Já o Norte é a face que mais recebe insolação durante todo o dia. Apesar dessa característica peculiar, o sol nessa face não se encontra tão agressivo quanto na face oeste, logo, é muito interessante posicionar nesse lado os ambientes de média-circulação tais como salas de jantar, salas de estar (fig. 4) e até mesmo quartos dependendo da situação e da disponibilidade que o terreno oferece.

 

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Fig. 4. Sala de estar com vedação de vidro.

 

A face oeste, como já citado, é aquela que recebe o sol mais quente do dia, essa é a razão pela qual todo cuidado é pouco na hora de pensar esse lado. Como é nessa face onde os raios solares são mais agressivos, é justamente ali onde devem ser projetados os ambientes úmidos assim com aqueles de menos uso do edifício tais como banheiros e cozinhas (fig, 5). Qualquer pessoa consegue notar a clara diferença de temperatura que existe em ambientes úmidos em comparação a outros cômodos do edifício, isso acontece porque eles por si só são mais frescos, com mais aberturas e mais refrigerados do que qualquer outra área da casa. Dessa forma, se a face leste é aquela que mais esquenta faz todo o sentido posicionar os cômodos que são mais frescos no Oeste, como resultado haverá um equilíbrio na temperatura que proporcionará um melhor conforto térmico ao usuário.

 

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Fig. 5. Cozinha simples e naturalmente iluminada.

 

Por fim, a face sul também requer certo cuidado pois é aquela que recebe menos sol na região do hemisfério sul principalmente em países como o Brasil. Quando os raios solares não estão presentes na casa algumas coisas desagradáveis podem surgir, como por exemplo mofo, fungo, e diversos tipos de bactéria. Para evitar essa dor de cabeça desnecessária é importante pensar materiais e revestimentos que são resistentes a esse tipo de patologia. Fazendo esse tipo de prevenção, as chances de qualquer tipo de contaminação e problemas no projeto serão bem menores. A vantagem de a face sul ser menos ensolarada é a possibilidade de envidraçar completamente a fachada (fig. 6) trazendo uma estética superinteressante no projeto. Para a face sul os cômodos indicados são aqueles de menor circulação tais como depósitos, escadas e garagens.

 

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Fig. 6. Casa de Vidro, Lina Bo Bardi, principal fachada voltada a Sul/Sudeste.

 

Esse texto não tem intenção de fazer nenhum tipo de análise profunda e detalhada, mas apenas possui a intenção de apresentar o quão importante é a orientação solar na arquitetura. Essa é a razão pela qual as diferenças que envolvem a latitude foram colocadas à parte. Lembre-se, o sol não é um inimigo do arquiteto e nem do usuário, pelo contrário, quando é bem pensado no projeto é um forte aliado no conforto e na saúde do edifício. Para uma melhor compreenção do conteúdo basta dar um play no vídeo abaixo. Bons projetos.

Bibliografia:

1. ZANIN, Tatiana. Saiba para que serve e onde encontrar a Vitamina D. Disponível em: < https://www.tuasaude.com/para-que-serve-a-vitamina-d/ >. Acesso em 24 de Dezembro de 2018.

2. FROTA, Anésia Barros; SCHIFFER, Sueli Ramos, 1987. Manual do conforto térmico, Studio Nobel, São Paulo, SP.

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