O Museu Nacional e a Escória da República Brasileira

É com muito pesar que venho escrever esse texto para expressar um pouco daquilo que senti no dia de hoje devido à tragédia ocorrida no Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Era para ser mais um dia comum, estava dentro do ônibus indo para mais uma jornada de trabalho. Durante esse período que fica entre minha casa e o meu serviço costumo dar uma atualizada nas minhas redes sociais, e para a minha infelicidade me deparo com a seguinte nota do Príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança:

Há mais de um século as forças que tomaram conta do Estado tentam reescrever a história do nosso país, tentam impor uma cultura que não é nossa. Inicia-se hoje a semana da independência, com muita tristeza.

O Museu Nacional assim como Brasil, estava abandonado à própria sorte. Foi ali que D. Leopoldina assinou a ata da reunião que propiciou nossa independência. Foi num dia como hoje, 02 de setembro 1822. Coincidência terrivelmente simbólica!

Perdemos referências fundamentais de nossa história e também toda a consciência humanitária e científica acumulada de um ser humano exemplar que foi Pedro II; que queria conscientizar sobre o que existia de extraordinário na humanidade para os brasileiros.

A ânsia de apagar a nossa memória brasileira foi a real causa das chamas.
Existe um pouco de Brasil dentro de cada um de nós, e é nossa responsabilidade de vê lo independente mais uma vez.

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Luiz Philippe de Orleans e Bragança

Para a tristeza de todos os brasileiros foram perdidos mais de 20 milhões de documentos que contam a história de nossa pátria. Dentre os itens queimados se encontravam vários documentos pertencentes ao Império Português assim como achados arqueológicos que contavam a história e os detalhes do passado nacional. Também não é possível se esquecer dos importantes artefatos e múmias do Egito que ali se encontravam, todavia, não há dúvidas que a maior perca foi o próprio Palácio Imperial. O Palácio de estilo Neoclássico foi contruido no ano de 1818, e era uma obra que caracterizava o início da arquitetura brasileira, pois tem características portuguesas com materiais oriundos do Brasil. Foi nesse mesmo lugar que a Família Imperial permaneceu até ter sido covardemente expulsa de volta para Portugal no golpe de 1889, também conhecido como Instauração da República.

O povo brasileiro – e isso inclui a mim – é um povo que tem memória curta, normalmente atribuímos a nossa história aos nossos anos de vida, esquecemos que fazemos parte de um passado glorioso e que nossa herança é infinitamente maior do que os nossos anos de idade. Devido a um processo de desinformação – seja ele proposital ou por ignorância – a nação brasileira como um todo não é capaz de explanar de maneira simples os últimos duzentos anos de seu próprio país. Todos nós  sofremos de uma “crise existencial à brasileira”, não sabemos de onde viemos, onde estamos e para onde vamos. Nessa hora me vem na cabeça a passagem de Alice no País das Maravilhas, escrito por Lewis Carroll:

Alice perguntou: Gato Cheshire… pode me dizer qual o caminho que eu devo tomar?

Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato.

Eu não sei para onde ir! – disse Alice.

Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.

A tragédia que aconteceu com o Museu Nacional é um reflexo da corrupção generalizada que existe nesse país desde a implantação forçada de nossa ”republiqueta”. Não há uma pessoa em sã consciência que conheça o mínimo sobre a história do Brasil que consiga ver um resquício de sucesso na história da república. O início foi um golpe militar, depois já no começo do século XX temos ditaduras comandadas por presidentes fascistas, o que se segue há isso é Brasília e nossa dívida externa com uma inflação mirabolante, alguns anos depois temos um regime militar que prometia muito e fez muito pouco em todos os âmbitos da liberdade, e para fechar com chave de ouro, desde o período chamado de redemocratização, a única coisa boa que veio depois das Diretas Já foi o maior esquema de corrupção já feito na história do mundo.

Olhando para antes de 1889 consigo ter um panorama que hoje parece ser utópico. Primeiro Dom João VI chega ao Brasil com uma frota de intelectuais portugueses do mais alto calão (médicos, arquitetos, poetas, engenheiros, filósofos e empresários) para fundar uma nação soberana e independente de Portugal. Dom João VI amou o Brasil como ninguém, no início de seu governo fundou Bancos, Bibliotecas, Museus, Palácios, Escolas e Hospitais, deu as bases para o início de um processo que chegaria ao seu ápice nas mãos de seu filho, Dom Pedro I, e neto, Dom Pedro II. Juntos com José Bonifácio e outros sábios ministros esses três homens fundaram um dos maiores Impérios em termos economicos que o mundo já viu.

É triste ver nosso passado e entender o quão potente esse país já foi, não é muito difícil entender, temos um povo trabalhador, um clima tropical e temos uma abastança de recursos naturais. Quando estes atributos são administrados de forma correta e cálculada o sucesso é certo. Se um dia houve cultura e intelecto neste país esse tempo foi aquele que perdurou entre 1822 e 1889. Se hoje são gastos milhões – por meio da lei Rouanet – para patrocinar cantores como Luan Santana e MC Guimé, no passado Dom João VI tirou milhões do próprio tesouro português para investir em alta cultura em um país que estava engatinhando.

Que jamais nos esqueçamos dessa tragédia, pois ela nos ensina muito a respeito de nosso atual regime republicano, assim como nos alerta a respeito de nossos outros tesouros que ainda sobrevivem por meio de migalhas. God save the Quen.

 

 

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