16 Conselhos para se Estudar segundo Tomás de Aquino

São Tomás de Aquino é considerado um dos maiores teólogos que já passaram por esse mundo, era uma pessoa que transbordava conhecimento por onde quer que fosse. e texto trás um pouco so segredo de como esse simples homem se tornou grandioso em matéria de conhecimento e intelecto.

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Santo Tomás de Aquino por Bartolomé Esteban Murillo. Fonte: opi97. Disponível em: http://bit.ly/2hnYVAR. Acesso em: 22/09/2017.

É importante destacar que esta Carta que foi direcionada a um certo irmão João e não é uma obra autentica de São Tomás de Aquino, simplesmente foi atribuída a ele. A versão original em Latim se chama “De modo studendi” – just in case.

1) Não mergulhe de cabeça no mar de conhecimento, mas tente chegar a ele através de córregos menores. Vá do mais fácil para o mais difícil.

Parece até meio óbvio, mas o fato é que na agitação do mundo de hoje, temos pressa de querer saber tudo, e ás vezes metemos os pés pelas mãos. É muito comum ver jovens que querem iniciar uma vida de estudo sério ficarem empolgados e tomarem livros que estão além de sua capacidade sem nem sequer pensar em aprender os princípios. Não dá para começar teologia lendo Agostinho ou Tomás de Aquino se não se sabe nem o básico sobre a natureza de Cristo. É sábio trabalhar a partir do mais simples até chegar ao mais difícil. Este é o primeiro conselho e você faria bem em segui-lo.

2) Fale menos e ouça mais.

Com certeza não há momento em que se arrepende de ter ficado calado, mas sempre há momentos em que se arrepende de ter dito algo. O próprio Santo Tomás era exemplo disso, ao ser apelidado pelos seus colegas de Boi Mudo. Sempre ficou só na espreita, ouvindo. Quando chegou um momento que deveria ter falado, suas palavras foram tão acertadas que ele surpreendeu seu mestre Santo Alberto.

3) Mantenha a consciência pura.

Um homem que possui a cabeça cheia de sensualidade e pornografia é incapaz de sentir a poesia de uma obra de arte literária, plástica ou musical. Controlar os extintos animalescos é evitar que o homem não vire uma besta irracional. Dê grande importância a uma boa consciência. O pecado perturba a paz de espírito, e garante que as luzes da sabedoria não venham junto com o saber. Uma boa confissão diária a Cristo pode ser uma forma excelente de se preparar para o estudo.

4) Não deixe de orar e nunca negligencie os deveres sagrados.

Nunca deixe de fazer suas orações! Mesmo se a quantidade de trabalhos faça parecer que não há tempo. Ore mesmo assim, e verá Cristo multiplicar seu tempo de estudos como fizera com os pães e peixes. A oração é a respiração da alma, é o contato com o Manancial que jorra o conhecimento.

5) Esteja em seu quarto com frequência. Tenha um lugar para estudar.

O silêncio, o conforto, a claridade são elementos essenciais para quem quer dispor de proveitosas horas de estudo. Por isso, ter um “templo do estudo” é de extrema importância. Esse lugar pode ser o seu quarto, mas também pode ser a cabina de leitura da biblioteca ou outro lugar em que você possa encontrar as disposições necessárias. Um lugar onde você não vai ter distrações (deixe os aparelhos e aplicativos longe de você). Só assim sua mente vai assimilando o lugar com sua função, e você verá que seu estudo fluir mais rápido quando você se encontra naquele lugar.

6) Seja amigo de todos ou pelo menos se esforce para ser.

O sujeito quando é estudioso, torna-se referência para aqueles que tem dificuldades. Não seja um daqueles ogros mal-educados que não sabem atender bem alguém que pede ajuda com humildade. Nada de gritar “Agora não, estou estudando!”. Mas pare o que está fazendo e atenda aquela pessoa como se fosse a pessoa mais importante do mundo (pois naquele momento ela é de fato). Depois volte ao que está fazendo. A caridade é uma lei maior.

7) Não seja excessivamente íntimo dos outros, porque a familiaridade excessiva gera desprezo e fornece pretextos para negligenciar o trabalho sério (estudo).

O problema da amizade é quando ambos se tornam cúmplices do crime da perca de tempo. Há muitas amizades que nos levam a caminhos ruins, e outras que são até boas, mas perdemos muito tempo com conversas fúteis. O que se recomenda é que a amizade sirva para que um edifique o outro. Se há muita rodinha de conversa e muito riso, com certeza não há muita virtude.

8) Acima de tudo, fuja das conversas fúteis.

Um bom estudante não está nem aí para mexericos. Ou as conversas são para edifica-lo, ou para edificar os demais, mas nunca para transformar um bom intelectual cheio de potencialidades em um imbecíl. Não perca tempo em conversas fúteis.

9) Não se envolva com as pessoas e os feitos mundanos.

Qual é a necessidade de assistir todas as séries que comentam? Para quê ficar por dentro de todas as notícias do Brasil e do mundo? De que serve as modas e tendências? Que proveito se pode tirar acompanhando todos os últimos hits de sucesso?

10) Preste contas de tudo o que você diz.

Algumas pessoas estão sempre dispostas a começar um enunciado com “Eu acho que…” e encerrá-lo com “… mas cada um tem sua opinião”. Está na cara de que conversas com esse tipo de gente não leva a nada. Então só discuta assuntos que você conhece bem, na finalidade de edificar a si ou ao outro. E evite fazer as vezes de filósofo clínico geral. Seja um bom apologista daquilo que você acredita, tenha argumentos sólidos.

11) Siga os passos dos grandes homens.

Se você não tem um modelo de vida, está passando da hora de ter um. Escolha um homem (ou uma mulher) que alcançou os ideais que você almeja e siga seus caminhos. Conhecer sua história ajuda muito. Os mais recomendados são os apóstolos e profetas, pois não foram só intelectuais amargos, mas pessoas que encontraram gozo no seu saber. Uma foto do seu “mestre” na mesa de estudos pode inspirar ânimo.

12) Não repare em quem fala, mas acumule na mente o que ele diz de útil.

Um estudante honesto procura a verdade. Seu amor é pela verdade única e só a ela ele deve desejar. Para isso, é preciso estar atento, pois a verdade costuma vir de lugares que não esperamos. O pior ideólogo pode ter coisas boas para dizer, e o intelectual suprassumo dos conservadores pode falar asneiras. Para isso, seja crítico. Escute tudo que é dito, independente de quem diz, e procure refletir a respeito, sobre o quanto é certo ou não. É claro que isso não se aplica ao caso de leituras perigosas que não são recomendadas por dois motivos: homens grandes já leram e disseram que não há verdade para se encontrar ali, e porque não devemos ler coisas maiores que nós (primeiro conselho, lembra?). Sem dominar bem a filosofia platônica, aristotélica, agostiniana e tomista, não há porque querer encarar Nietzsche.

13) Certifique-se de entender bem o que você lê e escuta.

Filosofia se faz com meditação. Então não te importes de ruminar várias vezes o que leu até entender bem. Lembrando que só é possível aprender pelo tornar-se. Só se aprende de maneira sólida sobre um livro quando se coloca em prática aquilo que aprendeu.

14) Esclareça os pontos em dúvida. Procure por certezas.

Esse conselho é bem óbvio. Não tenha a arrogância de achar que não precise de ajuda. Sempre que estiver em dúvida, consulte um professor ou alguém que pode te ensinar. Um ponto mal compreendido pode destruir toda a linha de compreensão de uma ideia.

15) Acumule saber. Guarde o que puder em sua mente.

Decore, aprenda, grave. Tudo que puder levar para dentro de si, leve. Saber recitar poemas de cor, conhecer dados gerais e datas importantes. O método de decoração ainda salva muita gente. Dê o seu melhor para guardar tudo o que puder na pequena biblioteca da sua mente.

16) Não se preocupe com as coisas que estão fora da sua competência.

O primeiro e o último conselho se parecem. Conheça bem suas limitações e não seja cruel consigo. Você melhor do que ninguém sabe qual é o seu ritmo. A procura pelo conhecimento não é uma disputa, é um processo que já é agradável na execução. Então curta seu estudo e não se apresse em chegar ao destino, mais vale a qualidade de seus livros do que a quantidade, pois até os maiores intelectuais, ainda estão trilhando o caminho, mesmo que bem na frente.

“Se seguires este exemplo, reflorescerás e darás frutos úteis na vinha do Senhor Deus”. São Tomás de Aquino, 1270.

(Baseado no Texto do Blog SantaCarona com Alterações pessoais de Bruno Perenha)

 

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